

Como o próprio Papa Francisco nos ensinou, recordou Leão XIV, "a cultura da misericórdia rejeita a cultura do descarte". São sempre relações com Deus e com o próximo, como refletiu o Papa sobre a primeira leitura, quando Ezequiel anunciou que a obra divina começa como libertação (Ez 37, 23) e se realiza como santificação do povo (cf. v. 28), num "itinerário de conversão". Como libertar-se dos "ídolos", de "tudo aquilo que escraviza o coração, que compra e corrompe", que diminui também a mente do homem, porque "os idólatras são, portanto, pessoas de visão limitada".
Já Deus, que "não nos abandona nestas tentações", socorre o homem fraco e triste", "muda a história do mundo, chamando-nos da idolatria para a verdadeira fé, da morte para a vida", através da santificação, "dom da graça que faz dos homens filhos de Deus, irmãos e irmãs entre si", e não escravos uns dos outros:
Ao finalizar a homilia e o último pronunciamento público na viagem internacional, o Papa enalteceu que é justamente diante do mal que se alastra e da idolatria que torna os corações indiferentes, que "o Senhor prepara a sua Páscoa" e "sustenta a nossa peregrinação e a missão da Igreja no mundo", através da doação ao próximo à luz do Evangelho:
"A Igreja em Mônaco é chamada a dar testemunho, vivendo na paz e na bênção de Deus: por isso, caríssimos, fazei felizes muitas pessoas com a vossa fé, manifestando a autêntica alegria, que não se conquista com apostas, mas se partilha com a caridade. A fonte desta alegria é o amor de Deus: amor pela vida nascente e necessitada, que deve sempre ser acolhida e cuidada; amor pela vida jovem e idosa, a encorajar nas provações de todas as idades; amor pela vida saudável e por aquela doente que, por vezes solitária, carece sempre de ser acompanhada com atenção. Que a Virgem Maria, vossa Padroeira, vos ajude a ser lugar de acolhimento, de dignidade para os pequenos e os pobres, de desenvolvimento integral e inclusivo."